segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ditirambo do Caos


Veneraremos esta manha calma toda nossa vaidade
Haverá palavras que ainda não foram ditas
Haverá razões pelas quais morreremos em vão
Veneraremos com sangue e furor nosso orgulho pueril
Sentenciados a conviver e procriar, comer e vomitar:
Toda macula de nossas almas destemidas
Todo caos será divino
Toda prudência esquecida
A escuridão será a faísca
E a morte bem vinda.

Dias Negros


Introdução à Desconstrução

   
Pt1      

             Todo o narcisismo de uma sociedade contemporânea num abismo moral e decadente, suplica por uma mudança drástica desde suas entranhas mais déspotas e imundas de valores inversos, vidas de aparências e todo um universo de sonhos capitais, a babilônia, super consumismo, status quo, solidão coletiva, emprego, desemprego, subemprego, caos urbano generalizado, morte, pragas, e demais condições da existência natural, veneradas por uma massa cega em plena e vasta selva de ânsias pequenas, todos de mãos dadas rumo à desconstrução, material, mental e seletiva.
Depois desta não haverá mais pedra sobre pedra, cada centímetro quadrado da cidade em expansão será corrompido, cada mente gananciosa e soberba será destituída de si mesma, cada e todo sentimento de vitória, pequenas vitórias individuais e patéticas serão substituídas por um caos sangrento e desde então nada mais será como antes!
Quisera eu, pobre ser indeciso e cheio de culpa, ser o grão mestre da desconstrução, ser a faísca inicial, a semente derradeira, eu homem demasiado imperfeito, senhor de vontade alguma, incapaz de caminhar com as próprias pernas, pensar com sua própria mente, desejar com seu próprio membro, enxergar com seus próprios olhos, sedentos e desesperados por justiça ou vingança interpelada por meios duvidosos e hostis. Toda ascensão será castigada, o bem será realmente comum, a vitória coroara alguns sobreviventes enquanto a derrota terá uma magnitude nunca antes vista, comentada ou escrita.
O ódio por si só propagara a penumbra de uma civilização em pedaços, todos os meios pelo os quais foram conquistados através do nosso suor escravo serão derrubados, reescritos, reeditados e então vividos, os ricos não mais sairão de suas mansões seguras, nem ao menos para se confraternizar com copos de champangne à noite, eles serão os principais reféns da desconstrução, serão o baluarte do que um dia significou renda per capita. As arvores serão testemunhas oculares, os pássaros serão os devoradores de toda a carne humana, o apocalipse será feito por nos, Deuses do consumo, famigerados por honra, sedentos de revanche.
 A musica será reinventada, e tudo que um dia foi idolatrado será em vão, eles irão acordar e perceber que estão sozinhos no universo, e então saberão que são crivelmente nada, nada alem de uma poeira no sapato de Deus, um calo no pé do Diabo, pobres mortais degenerados e sem cura, todos fadados a coexistir, e serão o que um dia nunca sonharão em ser - donos de seus próprios atos, Deuses de vos mesmos!    
 Nossos astros, heróis pomposos de uma mídia maquiada serão os primeiros a ruir, derramarão lagrimas de sangue enquanto assistem seus bens serem saqueados por zumbis assassinos e vorazes, loucos pelo genocídio, o cenário será peculiar, controverso, porem necessário, alcançaremos o auge de nossos profundos medos no momento em que não mais nos reconheceremos como cidadãos, pagadores de impostos e estúpidos motivados pelo o ate então único dito sentido da vida, nascer, crescer e se reproduzir, toda fé será considerada inutile, e então incinerada, seus seguidores serão esquecidos e nunca se tornarão mártires, toda conduta extravagante, luxuria e pecados da carne serão redefinidos e então desmistificados, seremos dotados de novos valores, valores reais e limpos, a mudança será necessária, inevitável, estamos em extinção e nem sequer temos a pífia idéia de quão grande será o fim!


P t2
            Os dias serão noites de desespero, onde apenas os fortes vingarão, toda a imundice da carne vira à tona enquanto a cidade vomita através dos bueiros toda a sujeira, a escoria rejeitada, e seremos então um só corpo aflito, nos, a cidade e os céus, em harmonia e desesperança.
Digo, como estamos viciados em nos mesmos, e como isto e pequeno, a beira do precipício como aqueles porcos possuídos estamos a suicidar, enquanto despencamos pensamos como aves livres: ate então esta perfeito, tudo estão calmo, mas o que importa não é a queda em si, mas sim, a aterrizagem – catastrófica!
Enganados por uma felicidade fugaz e remota, obtida através da franqueza alheia, pisamos sobre as cabeças desamparadas, filhos de uma sociedade desigual em todos os seus aspectos, em toda sua força, degrau por degrau, passo a passo, rumo ao lucro vital, inóspitos em educação, grandes em coisas pequenas, envergonhados, amorais, cheios de falsas motivações.
Quero por meio disto fazer as perguntas certas e sinceramente não espero resposta alguma que saia de bocas infames e fanáticas, de altares decorados a ouro e sangue negro, não há ninguém pela humanidade além dela mesma, se buscar a fundo realmente ira ouvir aquela voz interna amiga que lhe confortará nos momentos mais drásticos da sua vida, e desta paz estou realmente farto, tudo que foi dito por homens cegos dos olhos interiores irei regurgitar, não me sinto acima ou por baixo deles, me sinto apenas pós-humanizado.
Os bons costumes e valores familiares já a muito estão fracassados devido escassez do pensamento individual, a desconstrução não será o ponto final no processo evolutivo, mas sim, mais uma pagina virada, todos os olhos então estarão abertos para a nova vida, a nova arte de respirar ar puro, não seremos nem como nossos ancestrais Neanderthais, nem como sábios homens contemporâneos dotados de grande saber, seremos evoluídos, singulares, sedentos pelo novo em todo o seu contexto, consagrados à própria simples vida e tudo que esta virá a oferecer, não mais passaremos em branco pelas paginas obscuras da historia, seremos a própria, sentiremos como crianças alegres curiosas e de corações abertos a cada fenômeno novo, pelo mais simples que possa ser: o cheiro da chuva ao entardecer, a brisa gélida em manhãs der inverno, a neblina em noites chuvosas, cada raio imprescindível do astro rei, não iremos apenas sentir o vento como sentíamos antes, iremos vê-lo, tocá-lo e nos perder sem medo de estar longe de casa, o mundo todo será um único abrigo, sem fronteiras, crenças, nações, bandeiras, não sentiremos mais vergonha por sermos ignorantes, seremos sedentos por verdade, conhecimento, não derrubaremos mais uma única arvore sem o consentimento da mesma, seremos tão livres quanto qualquer animal que caminhe sobre a terra e estes também serão exatamente como nos, definitivamente como nos, sem soberba diremos palavras inteligentes e a nova educação será imparcial, enquanto todos os Deuses estiverem enterrados, dançaremos e comemoraremos nossa emancipação coletiva! Nosso nome será Alfa e de nosso filhos será Omega, e os que virão apos serão livres como nunca outro ser ousou ser sob este céu, serão todos filhos da única suprema e derradeira liberdade!
                                                                                                       
 Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.    Leon Tolstoi


                                                                


                                                                  Parte textual fragmentada de Dias Negros de Andre T.