Introdução à Desconstrução
Pt1
Todo o narcisismo de uma sociedade
contemporânea num abismo moral e decadente, suplica por uma mudança drástica
desde suas entranhas mais déspotas e imundas de valores inversos, vidas de
aparências e todo um universo de sonhos capitais, a babilônia, super consumismo,
status quo, solidão coletiva, emprego, desemprego, subemprego, caos urbano
generalizado, morte, pragas, e demais condições da existência natural, veneradas
por uma massa cega em plena e vasta selva de ânsias pequenas, todos de mãos
dadas rumo à desconstrução, material, mental e seletiva.
Depois desta não
haverá mais pedra sobre pedra, cada centímetro quadrado da cidade em expansão
será corrompido, cada mente gananciosa e soberba será destituída de si mesma,
cada e todo sentimento de vitória, pequenas vitórias individuais e patéticas
serão substituídas por um caos sangrento e desde então nada mais será como
antes!
Quisera eu, pobre
ser indeciso e cheio de culpa, ser o grão mestre da desconstrução, ser a faísca
inicial, a semente derradeira, eu homem demasiado imperfeito, senhor de vontade alguma,
incapaz de caminhar com as próprias pernas, pensar com sua própria mente,
desejar com seu próprio membro, enxergar com seus próprios olhos, sedentos e
desesperados por justiça ou vingança interpelada por meios duvidosos e hostis. Toda
ascensão será castigada, o bem será realmente comum, a vitória coroara alguns
sobreviventes enquanto a derrota terá uma magnitude nunca antes vista, comentada
ou escrita.
O ódio por si só
propagara a penumbra de uma civilização em pedaços, todos os meios pelo os
quais foram conquistados através do nosso suor escravo serão derrubados, reescritos,
reeditados e então vividos, os ricos não mais sairão de suas mansões seguras,
nem ao menos para se confraternizar com copos de champangne à noite, eles serão
os principais reféns da desconstrução, serão o baluarte do que um dia
significou renda per capita. As arvores serão testemunhas oculares, os pássaros
serão os devoradores de toda a carne humana, o apocalipse será feito por nos,
Deuses do consumo, famigerados por honra, sedentos de revanche.
A musica será
reinventada, e tudo que um dia foi idolatrado será em vão, eles irão acordar e
perceber que estão sozinhos no universo, e então saberão que são crivelmente
nada, nada alem de uma poeira no sapato de Deus, um calo no pé do Diabo, pobres
mortais degenerados e sem cura, todos fadados a coexistir, e serão o que um dia
nunca sonharão em ser - donos de seus próprios atos, Deuses de vos mesmos!
Nossos astros,
heróis pomposos de uma mídia maquiada serão os primeiros a ruir, derramarão
lagrimas de sangue enquanto assistem seus bens serem saqueados por zumbis
assassinos e vorazes, loucos pelo genocídio, o cenário será peculiar, controverso,
porem necessário, alcançaremos o auge de nossos profundos medos no momento em
que não mais nos reconheceremos como cidadãos, pagadores de impostos e
estúpidos motivados pelo o ate então único dito sentido da vida, nascer,
crescer e se reproduzir, toda fé será considerada inutile, e então incinerada,
seus seguidores serão esquecidos e nunca se tornarão mártires, toda conduta
extravagante, luxuria e pecados da carne serão redefinidos e então
desmistificados, seremos dotados de novos valores, valores reais e limpos, a
mudança será necessária, inevitável, estamos em extinção e nem sequer temos a
pífia idéia de quão grande será o fim!
Digo, como estamos
viciados em nos mesmos, e como isto e pequeno, a beira do precipício como
aqueles porcos possuídos estamos a suicidar, enquanto despencamos pensamos como
aves livres: ate então esta perfeito, tudo estão calmo, mas o que importa não é
a queda em si, mas sim, a aterrizagem – catastrófica!
Enganados por uma
felicidade fugaz e remota, obtida através da franqueza alheia, pisamos sobre
as cabeças desamparadas, filhos de uma sociedade desigual em todos os seus
aspectos, em toda sua força, degrau por degrau, passo a passo, rumo ao lucro
vital, inóspitos em educação, grandes em coisas pequenas, envergonhados,
amorais, cheios de falsas motivações.
Quero por meio disto
fazer as perguntas certas e sinceramente não espero resposta alguma que saia de
bocas infames e fanáticas, de altares decorados a ouro e sangue negro, não há
ninguém pela humanidade além dela mesma, se buscar a fundo realmente ira ouvir
aquela voz interna amiga que lhe confortará nos momentos mais drásticos da sua
vida, e desta paz estou realmente farto, tudo que foi dito por homens cegos dos
olhos interiores irei regurgitar, não me sinto acima ou por baixo deles, me
sinto apenas pós-humanizado.
Os bons costumes e
valores familiares já a muito estão fracassados devido escassez do pensamento individual,
a desconstrução não será o ponto final no processo evolutivo, mas sim, mais uma
pagina virada, todos os olhos então estarão abertos para a nova vida, a nova
arte de respirar ar puro, não seremos nem como nossos ancestrais Neanderthais,
nem como sábios homens contemporâneos dotados de grande saber, seremos
evoluídos, singulares, sedentos pelo novo em todo o seu contexto, consagrados à
própria simples vida e tudo que esta virá a oferecer, não mais passaremos em
branco pelas paginas obscuras da historia, seremos a própria, sentiremos como
crianças alegres curiosas e de corações abertos a cada fenômeno novo, pelo mais
simples que possa ser: o cheiro da chuva ao entardecer, a brisa gélida em manhãs der inverno, a neblina em noites chuvosas, cada raio imprescindível do
astro rei, não iremos apenas sentir o vento como sentíamos antes, iremos vê-lo,
tocá-lo e nos perder sem medo de estar longe de casa, o mundo todo será um
único abrigo, sem fronteiras, crenças, nações, bandeiras, não sentiremos mais
vergonha por sermos ignorantes, seremos sedentos por verdade, conhecimento, não
derrubaremos mais uma única arvore sem o consentimento da mesma, seremos tão
livres quanto qualquer animal que caminhe sobre a terra e estes também serão
exatamente como nos, definitivamente como nos, sem soberba diremos palavras
inteligentes e a nova educação será imparcial, enquanto todos os Deuses
estiverem enterrados, dançaremos e comemoraremos nossa emancipação coletiva!
Nosso nome será Alfa e de nosso filhos será Omega, e os que virão apos serão
livres como nunca outro ser ousou ser sob este céu, serão todos filhos da única
suprema e derradeira liberdade!
Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. Leon Tolstoi
Parte textual fragmentada de Dias Negros de Andre T.


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